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Desemprego bate novo recorde no Brasil

Por Carlos Gilbert Conte Filho

O Brasil registrou novo recorde de desempregados. Segundo dados da Pesquisa nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) somaram 14,4 milhões de pessoas desempregadas no trimestre encerrado em fevereiro. A taxa de desemprego passou de 14,1% no trimestre encerrado em novembro para 14,4% no trimestre encerrado em fevereiro.Isso significa que 14,4 milhões de pessoas estão na fila por um trabalho no País, o maior contingente desde 2012, quando começou a série histórica.

O total de desocupados cresceu 2,9% em relação a novembro, 400 mil pessoas a mais em busca de uma vaga de trabalho. Em relação a fevereiro de 2020, o número de desempregados aumentou 16,9%, ou seja, 2.080 milhões de pessoas a mais procurando um trabalho (gráfico 1).

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Gráfico 1: Total de desocupados no Brasil (milhões de pessoas). - Fonte: IBGE (2021).

 

Mesmo assim, a taxa de desocupação ficou estável em relação ao trimestre anterior: passou dos 14,1% para 14,4%. Entretanto, apresentou alta de 2,7% na comparação com igual trimestre do ano passado, que foi estimada em 11,6%.

A população ocupada somou 85.899 milhões de pessoas, 321 mil trabalhadores a mais em um trimestre. Em relação a um ano atrás, 7.811 milhões de pessoas perderam seus empregos.Com isso, o nível de ocupação no País, que é o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, também apresentou estabilidade, ficando em 48,6%.Em relação a igual trimestre do ano anterior, quando o nível da ocupação no Brasil foi de 54,5%, este indicador apresentou variação negativa de -5,9%.

Dentre as categorias, apenas a categoria de trabalhadores por conta própria, que totaliza 23,7 milhões de pessoas, apresentou crescimento (3,1%) na comparação com o trimestre anterior (setembro a novembro de 2020), significando a adição de 716 mil pessoas neste contingente. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o indicador apresentou uma redução de 824 mil postos.As demais categorias apresentaram estabilidade em relação ao trimestre anterior. Os trabalhadores do setor privado com carteira de trabalho assinada foram estimados em 29,7 milhões de pessoas. Os empregadores e trabalhadores do setor privado sem carteira assinada somam 9,8 milhões de pessoas. E os empregadores são 3,9 milhões de pessoas. Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, contudo, houve queda 11,7%, ou menos 3,9 milhões postos de trabalho para empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada; de 1,8 milhão de pessoas entre empregadores e trabalhadores do setor privado sem carteira assinada e de menos 552 mil empregadores.

A população inativa somou 76.431 milhões no trimestre encerrado em fevereiro, 18 mil pessoas a mais do que no trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2020, a população inativa aumentou em 10.494 milhões de pessoas. Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, houve expansão de 15,9% com o acréscimo de 10,5 milhões de pessoas. Este é um indicador que cresceu muito em 2020, em função do afastamento das pessoas do mercado de trabalho, voltando a retrair a partir de outubro e agora estável. A população fora da força foi afetada pelas restrições de funcionamento das atividades econômicas e pelas medidas de proteção. Muitas deixaram de procurar trabalho, outras perderam o trabalho e não viam condições de se reinserir, parando de exercer pressão no mercado de trabalho. Quando confrontamos com fevereiro de 2020, a população fora da força de trabalho é muito maior em função da própria dinâmica que a pandemia trouxe para o mercado de trabalho.

Neste sentido, a população desalentada – grupo de pessoas que desistiram de procurar trabalho, mas que gostariam de conseguir uma vaga e estavam disponíveis para trabalhar –foi estimada em 6 milhões e é recorde na série histórica da pesquisa. Em relação ao trimestre terminado em fevereiro de 2020, houve crescimento de 26,8.

A taxa de informalidade no trimestre terminado em fevereiro de 2021 ficou em 39,6% da população ocupada, ou 34 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, a taxa havia sido 39,1% e no mesmo trimestre de 2020, 40,6%.

Por fim, quanto ao rendimento, a massa de rendimento real habitual ficou estável na comparação com o trimestre anterior, sendo estimada em R$ 211,2 bilhões de reais. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, houve queda de 7,4% o que representa uma redução de R$ 16,8 bilhões. Já o rendimento médio habitualmente recebido caiu 2,5% no trimestre de dezembro de 2020 a fevereiro de 2021 frente ao trimestre encerrado em novembro de 2020 e foi estimado em R$ 2.520. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve estabilidade. A tabela 1 sintetiza os principais resultados:

Tabela 1 – Principais resultados referentes ao mercado de trabalho brasileiro

Indicadores

dez-jan-fev 2020

set-out-nov 2020

dez-jan-fev 2021

Taxa de desocupação

11,60%

14,10%

14,40%

Nível da ocupação

54,50%

48,60%

48,60%

Taxa de participação na força de trabalho

61,70%

56,60%

56,80%

Total da força de trabalho

106.052

99.601

100.322

Ocupada

93.710

85.578

85.899

Desocupada

12.343

14.023

14.423

População Fora da força de trabalho

65.937

76.413

76.431

Rendimento

R$ 2.488,00

R$ 2.585,00

R$ 2.520,00

Massa de salário (R$ milhões)

R$227.993

R$ 215.741

R$ 211.189

Fonte: IBGE (2021).

 

De modo geral, os últimos dados indicam que, mesmo diante de uma melhora em alguns indicadores econômicos e da expectativa de retomada da economia a partir do segundo semestre deste ano, as condições do mercado de trabalho brasileiro ainda se mostram bastante desfavoráveis e resultam em um grande desafio daqui para frente – tanto para a população em geral quanto para o governo.