Artigo

PIB cresce 0,8% no primeiro trimestre de 2024

Por Carlos Gilbert Conte Filho

            O PIB da economia brasileira cresceu 0,8% no primeiro trimestre de 2024 ante ao último trimestre de 2023. O consumo das famílias, a taxa de investimento e o setor da agropecuária foram os carros chefes para o bom desempenho do produto nesse início de ano. O desempenho em relação ao primeiro trimestre de 2023 foi ainda mais expressivo: expansão de 2,5%. Mas seria esse um resultado sustentável? Vejamos…

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil confirmou o desempenho esperado para o primeiro trimestre deste ano, após um segundo semestre de 2023 praticamente estagnado (figura 1). Foi impulsionado por alguns fatores pontuais, como o pagamento dos precatórios, além de outros que impulsionaram o consumo das famílias e, consequentemente, o setor de serviços. Houve, também, a importante recuperação dos investimentos e de um cenário melhor para a agropecuária. Contudo, setores como a indústria e o expressivo aumento das importações (também em decorrência do maior consumo das famílias) aparecem como pontos negativos nesse primeiro trimestre do ano. Mesmo assim, o resultado do produto da economia foi positivo surpreendendo o mercado que não esperava uma alta tão expressiva (a expectativa era de crescimento de 0,7%).

            Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu bem acima do PIB: expansão de 1,5% na comparação com o quarto trimestre de 2023 e de 4,4% ante ao primeiro trimestre do ano passado. Fatores como um mercado de trabalho mais forte, salários crescentes, o ganho real do salário-mínimo, políticas de transferências e antecipação de renda, o pagamento dos precatórios e concessões de crédito mais robustas contribuíram para aumentar a renda disponível das famílias e fomentar o consumo. Já o gasto do governo ficou estável, embora tenha subido em todos os trimestres de 2023 (figura 2).

            A taxa de investimento (formação bruta de capital fixo), foi o grande destaque pelo lado da demanda: crescimento de 4,1% e de 2,7% ante ao último trimestre e ao primeiro trimestre de 2023, respectivamente. Fatores como a maior importação de bens de capital (o que impacta no aumento das importações), o bom desempenho do setor desenvolvedor como o de software, além, é claro, da queda das taxas de juros (embora ainda permaneçam acima dos dois dígitos) foram preponderantes. Já as exportações tiveram alta (0,2% ante ao último trimestre de 2023 e de 9% ante ao primeiro trimestre do ano passado) puxadas pelo setor do agro, que totalizaram US$ 37,44 bilhões no primeiro trimestre desse ano.

            Pelo lado da oferta, a indústria foi o único setor a apresentar resultado negativo no período (-0,1% ante ao último trimestre de 2023). Contudo, é válido destacar que o segmento da indústria de transformação saiu de dois trimestres seguidos de estabilidade para uma alta de 0,7% nesse primeiro trimestre. Já a indústria extrativa interrompeu sete trimestres seguidos de alta (na comparação direta trimestre contra trimestre anterior) e caiu -0,4% entre janeiro e março. Entretanto, quando se compara com o primeiro trimestre de 2023, o crescimento é de quase 6%. A Construção, por sua vez, recuou -0,5%, enquanto o segmento de Água e Gás caiu -1,6%. Essas quedas, contudo, refletem a base de comparação elevada gerada nos últimos trimestres (já que o ano passado foi positivo para o setor da indústria), e por tanto, devem ser consideradas quando se analisa os resultados do setor nesse primeiro trimestre.

            Quanto a agropecuária, já era esperado um forte crescimento nesse primeiro trimestre, já que a base de comparação era fraca (a contração do setor nos últimos três meses de 2023 foi da ordem de -7,4%). Mesmo assim, é relevante destacar que o setor surpreendeu o mercado que esperava crescimento de 8,8%, subindo 13,1% nesse primeiro trimestre de 2024 ante ao último trimestre de 2023. O setor foi influenciado pelo aumento das vendas externas de açúcar (US$ 2,5 bilhões), algodão (US$ 997,41 milhões) e café verde (US$ 563 milhões). Na soma, as exportações do agronegócio brasileiro apresentaram um aumento 11,3% e de 4,4% em comparação com ao último trimestre e o primeiro trimestre de 2023, respectivamente.

            A maior surpresa pelo lado da oferta veio do setor de serviços que cresceu 1,4% nos primeiros três meses desse ano, acima da expectativa do mercado que era de crescimento de 0,5%. Esse foi o melhor desempenho desde o quarto trimestre de 2020 quando o setor se recuperava do período inicial da pandemia e cresceu, naquele momento, 3,1%. Dentro dos serviços, destaque para as altas no comércio (3%), serviços de informação e comunicação (2,1%) e outras atividades (1,6%) – todas essas intimamente ligadas ao consumo das famílias (figura 3).

            Contudo, esse bom desempenho da economia terá continuidade ao longo do ano? A resposta é “provavelmente não”. Parte dos fatores que levaram ao bom resultado desse início de ano – como a resiliência do mercado de trabalho e elevada renda disponível nas famílias – até podem continuar ao longo de 2024. Outros, contudo, tornam o cenário mais incerto, como a priora das condições financeiras diante de perspectivas menos positivas para os juros (que devem cair menos do que era esperado há algumas semanas), além dos reflexos do desastre ambiental em nosso estado. Nesse sentido, a expectativa para o resultado no segundo trimestre não é positiva e o Boletim Focus do Banco Central já começa a revisar os números. Se no início de maio a expectativa era de um crescimento do PIB da ordem de 2,09%, atualmente é de 2,05%. Não obstante, algumas instituições financeiras já trabalham com a expectativa de crescimento de 1,5% para 2024.

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