Voto coerente: o projeto de país começa na urna inteira
2026-09-30 15:48:32Por Marcio Henrique Vincenti Aguilar Advogado (OAB/RS 41.788), presidente do SINFAC-RS e vice-presidente da Fecomércio-RS
Eleger um Executivo sem dar-lhe sustentação no Legislativo é contratar um projeto e, ao mesmo tempo, assinar o seu veto.
Neste domingo, 4 de outubro, o eleitor gaúcho escolhe presidente, governador, dois senadores, deputados federais e estaduais. São cinco votos que definirão o ambiente em que vamos produzir, investir e planejar nos próximos anos. Nenhum governante governa sozinho: orçamento, reformas e política tributária dependem do Congresso e da Assembleia. Não faz sentido votar em um projeto para o Executivo e, na mesma urna, eleger parlamentares em dissonância com ele. O resultado é conhecido: paralisia, instabilidade e o “toma lá, dá cá” como moeda de governabilidade.
O Supremo também está na cédula
O próximo presidente poderá indicar até quatro ministros do STF — mais de um terço da Corte: a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso, ainda sem ocupante após a rejeição da indicação pelo Senado em abril, e as aposentadorias compulsórias de Luiz Fux (2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030). Cada nome, porém, depende da aprovação de 41 senadores. A composição do Supremo pelas próximas décadas será decidida tanto pelo presidente quanto pelo Senado que elegermos.
Polarização e um novo Senado
Com o país polarizado, as pesquisas indicam um Senado mais à direita a partir de 2027, com 54 das 81 cadeiras em disputa. A conta importa: 41 votos aprovam indicações ao STF e leis complementares; 49, emendas constitucionais. A relação entre o presidente eleito e esse Senado ditará o ritmo do próximo governo: alinhamento entrega reformas; confronto consome o mandato.
O Estado também se decide no domingo
O orçamento gaúcho de 2026 prevê receitas correntes de cerca de R$ 88 bilhões, com mais de R$ 5 bilhões em investimentos e R$ 5,6 bilhões para a reconstrução do Estado. Cada real passa pelos 55 deputados da Assembleia, que votam o orçamento, apreciam os projetos do governador e fiscalizam sua execução. O deputado estadual não é um voto menor: é ele quem viabiliza, ou impede, o programa escolhido para o Piratini.
Os desafios de sempre
Equilíbrio fiscal, carga tributária, insegurança jurídica e burocracia se repetem a cada ciclo; muda apenas a disposição política de enfrentá-los. Para o fomento comercial e as pequenas e médias empresas, o critério é claro: priorizar projetos de liberdade econômica, previsibilidade das regras e crescimento da Nação.
Voto útil, voto válido, voto que transforma
Abster-se, anular ou votar em branco é deixar que outros decidam. O voto útil — consciente de que cada escolha precisa ter viabilidade e compor maioria em torno de um projeto — é instrumento legítimo e, em tempos polarizados, decisivo. Votos dispersos podem favorecer justamente a agenda que o eleitor queria evitar.
O convite do SINFAC-RS é simples: compareça, vote em todos os cargos com o mesmo critério e confira se cada candidato é coerente com o projeto que você escolheu. Domingo, o voto é de cada um. A coerência também.
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