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O resultado do PIB no primeiro trimestre e as expectativas para o futuro

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, no primeiro trimestre de 2022, veio em linha com as expectativas dos analistas de mercado. Contudo, mesmo diante do bom desempenho da economia entre janeiro a março, o mercado espera uma desaceleração da economia no segundo semestre. Quais foram os fatores que levaram o PIB a registrar resultado satisfatório no primeiro trimestre e quais são os fatores que o mercado aponta como determinantes para a desaceleração da economia no restante de 2022 e em 2023? Responder a essas perguntas é o propósito das próximas linhas.Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o PIB do Brasil cresceu 1% no primeiro trimestre em relação aos último três meses de 2021 (gráfico 1).Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a altafoi de 1,7% e, no acumulado dos quatro trimestres, de 4,7%.Os números da economia brasileira no 1º trimestre vieram positivos, com PIB crescendo acima do inicialmente projetado por alguns analistas (a expectativa era de crescimento em torno de 0,9%), porém um pouco abaixo do consenso esperado pelo mercado financeiro (a expectativa era de alta de 1,2%).Esse resultado passa, impreterivelmente, pela normalização do setor de serviços, o mais atingido durante a pandemia e de maior peso no PIB. O setor de serviços cresceu, entre janeiro a março em relação ao trimestre imediatamente anterior, 1%. Destaca-se, ainda, que, no mesmo período,o produto da indústria cresceu 0,1% enquanto o setor da agropecuária caiu -0,9% (após alta substancial no último trimestre de 2021).

Gráfico 1 – Desempenho do PIB do Brasil entre o primeiro trimestre de 2019 e o primeiro trimestre de 2021. Fonte: IBGE (2022).

Mesmo antes dos resultados anunciados pelo IBGE, economistas já vinham revisando para cima as projeções do primeiro trimestre após os bons resultados do varejo, do consumo das famílias e da atividade econômica divulgados previamente, além da valorização do preço das commodities no mercado internacional.E o bom resultado do primeiro trimestre – em paralelo as boas expectativas de recuperação – deve refletir nos resultados da atividade econômica ao longo do ano. Até março, a expectativa do mercado era de uma alta de 0,5% em 2022 e, ao fim de abril, de 0,7% (gráfico 2).Salienta-se, entretanto, que as projeções para a atividade da economia e de outros indicadores macroeconômicos tem sido afetado pela greve já duradoura dos servidores do Banco Central. Os últimos resultados disponíveis datam do dia 29 de abril. De lá para cá, as projeções vêm sendo aferidas isoladamente junto as instituições financeiras em seus boletins de conjuntura. E dessas, boa parte dos analistas apontam para um avanço do PIB acima de 1% no ano, enquanto o governo mantém a projeção de alta de 1,5%.

Gráfico 2 – Expectativas do mercado em relação a atividade econômica do Brasil em 2022 e 2023. Fonte: Bancon Central do Brasil(2022).

O que explica o bom resultado da economia nesse início de ano? E o que esperar para o restante de 2022 e para 2023? Para responder a essas perguntas, deve-se pontuar tanto os fatores positivos como os fatores negativos inerentes a economia brasileira no momento
Dentre os fatores positivos, destacam-se:

  1. O próprio desempenho da economia neste início de ano (o que deve gerar uma melhora no ânimo dos empresários e incentivar novos investimentos);
  2. A normalização mais rápida do setor de serviços. Lembrando que este setor da economia responde por mais de 70% do PIB no Brasil;
  3.  A majoração dos preços das commodities. O Brasil é um dos maiores exportadores de commodities mundial, com destaque para as exportações de soja e milho;
  4.  O pacote de “bondade” do governo. O atual governo tem atuado no sentido de mitigar os efeitos adversos da pandemia e da escalada de preços verificada no Brasil nos últimos meses; e
  5. A melhora do índice de confiança do empresariado. Mesmo que ainda em um patamar baixo, o Índice de Confiança do Empresário Industrial tem melhorado ao longo dos últimos meses (gráfico 3). Contudo, salienta-se que no sul do País (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), o índice de confiança do empresário está abaixo dos 50%.
Gráfico 3 – Índice de Confiança do Empresário Industrial no Brasil e no Sul do país. Fonte: Portal da Indústria (2022).

Por outro lado, dentre os aspectos negativos, tem-se:

  1. A inflação (gráfico 4). Desde setembro de 2021 que a inflação no Brasil, somados os 12 últimos meses, tem ultrapassado os dois dígitos. Isso corrói o poder de compra da população, o que reduz o consumo e, consequentemente, o nível de investimentos no País;
  2. A desaceleração da economia mundial, sobretudo, da China e no leste europeu em decorrência do conflito entre Ucrânia e Rússia (o que pode repercutir em setores chaves da economia brasileira como a exportação de ferro e de commodities);
  3. A incerteza decorrente de ano eleitoral. Nesse sentido, visando uma clara melhora nas pesquisas de intenção de voto, o governo atual tem realizado algumas “bondades” sobretudo em questões sociais. Essa postura eleva a dívida pública o que, nos períodos seguintes (2023, 2024, …), tem de ser financiada, o que se da através de duas formas: elevação de impostos ou elevação da taxa de juros visando rolar a dívida outrora contraída;
  4.  Inadimplência e endividamento elevado das famílias. Esses fatores corroboram para reduzir o poder de compra da população. Ademais, pressionam as taxas de juros para financiamento (automóveis e imóveis), o que amplia a dificuldade de consumo e, consequentemente, travam a retomada econômica; e
  5. Diluição do impulso da recuperação do setor de serviços. O setor de serviços tende a continuar ajudando o crescimento do PIB, mas esse impulso tende a se diluir gradualmente com a reabertura completa da economia e retomada do patamar de atividade pré-pandemia entre todos os segmentos. Ou seja, o forte crescimento desse setor se deve ao reflexo de uma normalização rápida do setor de serviços do que um ganho de real da atividade econômica do País.
Gráfico 4 – de Preços ao Consumidor Amplo ao mês e acumulado em 12 meses. Fonte: IBGE (2022).

Diante do exposto e colocando tudo o que foi pontuado em uma balança, pode-se dizer queo cenário positivo não deve se manter já que os próximos meses devem ser marcados por mais incertezaproveniente do cenário político (afinal, estamos em ano de eleições). Além desse, espera-se uma desaceleração da economia da China e de dificuldades oriundas de desafios globais (principalmente em função do conflito no leste europeu).Sendo assim, para o restante do ano, a perspectiva é de desaceleração da economia brasileira – principalmente no 2º semestre – com a piora ainda mais acentuada da atividade em 2023 em meio à inflação persistente, juros em alta e maior incerteza global e doméstica. Sendo assim, parte das previsões para 2023 têm sido revistas para baixo, com algumas casas apontando para um crescimento até mesmo abaixo de 0,50%.

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