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PIB cresce 1,9% no primeiro trimestre de 2023.

Por Carlos Gilbert Conte Filho

O PIB (Produto Interno Bruto) da economia brasileira – a soma de todas as riquezas produzidas pelo País em um determinado período – registrou crescimento de 1,95% no primeiro trimestre de 2023 na comparação com o último trimestre de 2022 e somou R$ 2,6 trilhões. Em relação ao mesmo período de 2022, o crescimento foi de 4% (gráfico 1). Os números ficaram acima do esperado por analistas: as expectativas eram de crescimento de 1,3% sobre o quarto trimestre de 2022 e de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Vejamos os fatores que levaram a economia brasileira a esse número e o que esperar para o futuro.

Analisando o desempenho da economia brasileira pelo lado da oferta, os resultados mostram que o setor da agropecuária cresceu 21,6%; a indústria encolheu -0,1% e os serviços cresceram 0,6% (gráfico 2).

O resultado positivo do PIB foi puxado, majoritariamente, pelo crescimento da agropecuária, maior alta para o setor desde o quarto trimestre de 1996. O agro responde por cerca de 8% de toda a economia do país. Como no último trimestre de 2022 o setor havia registrado queda de -0,9%; na comparação com o primeiro trimestre de 2023 (extremamente positivo) o resultado foi um salto de mais de 20%. Ademais, o bom desempenho do setor passa pelo período de colheita da soja que é concentrada no primeiro semestre do ano (grão que corresponde por aproximadamente 70% da lavoura) e que apresentou safra recorde nesse início de ano. O resultado positivo do agro, passa, também, pelo aumento da produção de milho, do abate de bovinos e de frango.

Ainda no campo positivo, o setor de serviços, que tem o maior peso no cálculo d PIB, cresceu 0,6% no período. O resultado foi puxado, principalmente, pelas altas nos setores de Transportes e Atividades Financeiras, ambos com crescimento de 1,2%. A alta do grupo “Transportes” foi influenciada tanto pelo transporte de carga quanto o de passageiros. Já o crescimento do grupo “Atividades Financeiras” foi puxado pelos seguros, já que o valor dos prêmios cresceu enquanto o dos sinistros caiu, o que gerou ganho para o setor. Por outro lado, o setor de “Informação e comunicação” apresentou a maior queda do primeiro trimestre para os serviços (-1,4%). A queda dessa atividade pode ser explicada, em grande parte, por uma base de comparação alta. Essa foi a atividade que mais cresceu depois da pandemia e se encontra, atualmente, 22,3% acima do patamar do quarto trimestre de 2019.

A Indústria – encerrando o lado da oferta – apresentou estabilidade no primeiro trimestre de 2023 (variação de -0,1%). O resultado foi influenciado pelas quedas do setor de bens de capital e bens intermediários. Entre as atividades industriais, houve queda na “Construção” (-0,8%) e na “Indústrias de Transformação” (-0,6%). Houve, porém, avanço em “Indústrias Extrativas” (2,3%) e “Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos” (1,7%).

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias avançou apenas 0,2% enquanto as despesas de consumo do governo cresceram 0,3% e os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) apresentaram queda de 3,4% (resultado que faz ligar o alerta quanto as perspectivas de crescimento para o PIB no futuro) (gráfico 3). Ainda pelo lado da demanda, o setor externo – tanto as importações como as exportações – encolheram entre janeiro e março desse ano: queda de -7,1% e -0,4%, respectivamente (gráfico 4).

Diante do resultado acima do esperado no primeiro trimestre, o mercado começa a recalcular os números previstos para a economia em 2023. O mercado tem revisado para cima as projeções do PIB, o que faz com que a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2023 tenha alcançado os 2,14% (em maio a expectativa era de crescimento de 1,20%). O governo, por sua vez, também pactua desse otimismo. O governo avalia que o resultado da economia entre janeiro e março eleva o viés positivo para a projeção de crescimento para esse ano. Segundo nota do Ministério da Fazenda, o início da flexibilização monetária e as reformas fiscal e tributária – somadas ainda às medidas para desburocratizar e agilizar emissões no mercado de capitais – tendem a reduzir as incertezas propiciando o retorno do investimento (e essa é uma questão central). A desaceleração esperada para a economia global e as condições monetárias que devem seguir restritivas, no entanto, ainda preponderam no cenário de atividade esperado para 2023.

Há, de fato, a questão do baixo nível de investimentos, atualmente em 17,66% do PIB. Estudos econômicos estimam que, para a economia crescer acima de 2% de modo sustentado, essa taxa tem de ser superior aos 24%. Sendo assim, há um gargalo que deve dificultar o crescimento do produto em um horizonte mais longo, caso essa trajetória não se altere. Não atoa que, se para 2023 a perspectiva tem sido revista com viés de alta; o mesmo não acontece quando se trata do desempenho da economia no ano que vem.

Isso posto, mesmo ante aos bons números da economia em 2023, o governo deve se engajar para melhorar o quadro de investimentos, o que passa, inevitavelmente, pela mitigação da incerteza. E nisso, a minimização dos ruídos advindos do âmbito político e, principalmente, a aprovação do novo Arcabouço Fiscal são de suma importância.

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